Estou hospitalizado em tratamento. O que faço com os meus gatos?

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Foto de Doutor Gabriel.

Muitos gateiros nos perguntam se precisam abandonar seus queridos gatos uma vez que estão em tratamentos quimioterápicos, demais tratamentos imunossupressores e algumas doenças que causam imunossupressão.

Quase sempre, os gateiros dodóis nos abordam já ansiosos porque receberam a orientação para afastarem-se de seus gatos uma vez que estão doentes e provavelmente com as defesas do corpo vulneráveis. São abatidos por uma sequência de notícias de difícil administração emocional. Não é fácil mesmo, principalmente quando inclui a insegurança de manter contato com os gatos durante o tratamento.

Quase lembra o dilema da tríade: gestantes humanas, gatos e toxoplasmose mas, é preciso discutir com cautela esses assuntos para não fornecermos informações, compartilhamentos e curtidas que poderão representar um desserviço a nossa sociedade.

A ansiedade está exatamente nas inúmeras e contraditórias informações que envolvem essas situações. Pode ou não pode? Passa ou não passa? Tem risco ou não? O que eu faço com eles, os gatos? O que eu faço com meus sentimentos? A tristeza, a culpa e o medo?

É inquestionável que os animais podem transmitir alguns agentes causadores de doenças para o ser humano. Chamamos esta situação de Zoonoses. Mas não podemos apenas enaltecer esse fato e ignorar os benefícios da presença dos animais na vida de um ser humano. Não é achismo. São dados científicos. Dentro de um texto não é possível descrever com amplitude merecida.

A presença amorosa, previsível e isenta de julgamentos é importante para nós, seres humanos, ainda mais quando precisamos de apoio e acolhimento. Estando doentes temos uma chance maior de adquirir zoonoses, é fato.

Aqui temos um momento muito importante do texto. Você precisa ficar atenta (o) porque não podemos negligenciar com os cuidados em relação às zoonoses, mas devemos nos preocupar com a individualização da orientação. Vou falar bem devagar porque é a parte mais importante de tudo: I-N-D-I-V-I-D-U-A-L-I-Z-A-Ç-Ã-O-D-A-O-R-I-E-N-T-A-Ç-Ã-O.

A relação entre os humanos e seus amados gatos não é recente, assim nem todos os gatos representam um importante risco para a saúde dos humanos. Ter contato com um gato na rua para um paciente humano imunossuprimido é diferente de ter contato com o seu gato que tem a saúde administrada com mãos Veterinárias de ferro! A questão é que a orientação fornecida para a população não pode ser individualizada e parte dos leitores pode tirar conclusões precipitadas e aumentar a chance de contato com doenças.

O pensamento rotineiro é: “Na dúvida é melhor não arriscar” e – na dúvida – muitas pessoas abandonam seus animais de estimação.

A frase “não quero que a senhora tenha contato com animais para não pegar doenças” pode ser muito diferente de “o gato que vive com você é levado ao Médico Veterinário regularmente? Está doente? Ele é testado, vacinado, castrado, alimentado com alimento comercial, usa vasilha sanitária e não tem contato com outros animais? Seu gato é socializado? Difícil de manipular? Tem menos de um ano de idade? Precisa ser medicado com frequência aumentando a chance de acidentes? Quem recolhe as fezes? Beija (Beijo humano*) o gato? Dorme na cama com você?”

Em um post não é possível exemplificar todas as situações, as orientações são generalistas e o objetivo é estimular a discussão para evitar abandono e sofrimento. O que não podemos é estimular a manutenção de formas de pensar e agir que nutrem uma sociedade imediatista e ignorante: “Fulana, joga fora esse gato porque ele não está sendo mais útil. Não acha que tem problema suficiente?”

O ideal seria ter a oportunidade de orientar individualmente baseando-se em informações do paciente e também do animal. Assim, teríamos a chance de decisões mais produtivas, justas e embasadas. É imperativo e indiscutível que pacientes humanos imunossuprimidos estão mais vulneráveis, mas podemos conversar com a equipe médica.

Filhotes são mais propensos às doenças infecciosas e parasitárias, castrar o animal é necessário para que não se estresse e para melhor confinamento em domicilio restrito, imunizações cuidadosas e utilizando sempre orientação Médico Veterinária, profilaxia para infestação por ectoparasitas, pesquisar FeLV FIV nos gatos, coletar fezes para avaliar presença de Giardia, salmonella, Campylobacter, Cryptosporidium spp, não alimentar o seu animal de estimação com alimentos crus, evitar beijar, manipular as fezes do seu animal ou até dormir na cama podem ser algumas orientações.

A decisão final deve ser baseada em informações cientificas e a orientação deve ser individualizada. Adaptar a convivência do paciente humano com seus animais de estimação pode ser possível e um acalento para quem acha que além da situação médica precisa também lidar com ansiedade do que fazer com seus gatos.

Já imagino os comentários com dúvidas recheadas de prontuários médicos e gatos “aparentemente saudáveis” buscando aprovação ou orientação. Um texto com informações científicas deixam o leitor seguro, mas não pode JAMAIS substituir o olho no olho.

Está dodói e ansioso porque tem um bigodudo disputando o teclado do computador com você? Converse com a equipe médica e com o Médico Veterinário responsável pela saúde do fulaninho aí ao seu lado. Se estiver enfrentando alguma situação médica não se deixe abater, enfrente e não fique sozinho.

Aposto que quando o bigodudo corre enlouquecido atrás de uma bolinha de papel você é obrigado a esquecer de tantas coisas difíceis de lidar, não é? Quando você se der conta, passou.

Fique bem e um abraço enorme.

Texto dedicado à uma Gateira tão amorosa e preocupada com seus gatos que deixa de pensar no linfoma e já está caminhando para a remissão ❤🙏🏻🐈 #familiamultiespecie #gratidao #amor #solidariedade #gentileza —  sentindo-se tranquilo.

CARLOS GABRIEL

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