Gatinhos assinalam Dia Mundial da Terceira Idade no lar da AURPI no Seixal

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Uma manhã de domingo que em tudo parecia igual para os utentes da Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI) da Associação Unitária de Pensionistas e Idosos do Seixal transformou-se em algo que muitos vão recordar, quando estes receberam a visita de dois pequeninos gatos.

A iniciativa partiu da Miau Magazine e da responsável do CROAC do Seixal, Elisabete Adrião, para assinalar o Dia Mundial da Terceira Idade, que se celebrou no dia 28 de Outubro.

Os olhares transformaram-se, as mãos estenderam-se e os sorrisos abriram-se quando os dois traquinas saíram da transportadora.

Os dois felinos foram encontrados na rua e entregues aos cuidados do Centro de Recolha Oficial de Animais de Companhia do Seixal, entretanto já adoptados, fizeram as delícias dos utentes do lar.

“Estes puderam durante alguns minutos esquecer o ambiente do lar e recordar os tempos em que também tiveram gatos e cães nas suas vidas mas que por via da sua institucionalização no lar não tiveram oportunidade de os trazer e este contacto é também importante para reviver essas memórias” frisou Elisabete Adrião.

A D. Susana contava que “já tive muitos gatos e cães, e lembro-me de ver a minha mãe chorar quando um dos nossos gatos morreu atropelado”. Já a D. Maria do Rosário afirmava “eles são uma ternura, até dormem connosco na cama e os meus até escova de dentes tinham. Quem me dera poder voltar a ter comigo gatos.

Fernanda Brandão, conhecida como ‘Fernanda dos Gatos’, não susteve as lágrimas ao pegar num dos gatinhos. “Não sou nada sem eles. Sempre tive gatos, e ainda tenho uma gatinha, mas está agora com a minha filha.”

A D. Joaquina Galandim relembrou que “já tive gatos quando morava na terra, cá em Lisboa é que não” e virando-se para o gatinho que segurava garantiu-lhe “já podias ficar aqui, tens aqui uma amiga”.

A visita foi acompanhada pelo animador sócio-cultural do lar, César, que destacou “a importância de uma acção como esta, porque é uma valência muito importante para eles, voltarem a estar em contacto com os animais desta forma”. E os pedidos choveram ao presidente para que esta iniciativa volte a acontecer, e para a próxima também com algum cão.

Aurpinhas é a mascote de um lar com vários animais

Não se pense no entanto que este espaço não tem animais.

Começa pela Aurpinhas, precisamente uma gata que é a mascote da ERPI. “Fui busca-la a uma instituição para a minha esposa, que gostava imenso de gatos”, explicou José Jesus Silva, presidente da AURPIS.

“Quando ela morreu, e para a gatinha não ficar sozinha, trouxe-a para cá, mas curiosamente ela não gosta de estar no interior, passa o tempo no jardim e quando os utentes estão na esplanada, vai para o colo deles. Está esterilizada e desparasitada, e faz muita companhia.”

E há tropelias da Aurpinhas para contar: “é uma caçadora nata, no Verão anda sempre com animais como pássaros, lagartixas ou osgas na boca e vem depositá-las à porta do lar. Um dia apareceu aqui com um pássaro na ratoeira onde ele tinha sido apanhado, e depois descobrimos que ela foi aqui em frente ao cemitério apanhar isso porque os funcionários tinham estado lá a colocar as armadilhas.”

Além da gata, a ERPI tem ainda um espaço com galinhas e cabras. “Há uns tempos tivemos uma denúncia e esteve cá o SEPNA mas verificaram que todos os animais estão devidamente identificados e tratados. Os nossos idosos adoram estar com eles, e o mesmo se passa com as crianças da creche que funciona aqui também.”

Balanço muito positivo

“Foi uma iniciativa de grande valor para os idosos” garantiu José Jesus Silva. “Todos vimos o entusiasmo com que receberam os gatinhos e lhes fizeram festas, foi algo muito diferente, de louvar e que esperamos volte a acontecer, porque foi muito bonito. Muitos deles tinham gatos como animais de companhia e ao voltarem a ter um gatinho ao colo viu-se bem a alegria reflectida nos olhos e até pelos pedidos que recebi para termos cá mais animais, mas não temos condições. Este tipo de iniciativa, trazendo-os neste caso do Gatil Municipal para conviver com eles, é muito bom e só tenho a agradecer à Miau e à vereadora Elisabete Adrião.”

A Pelouro da Segurança Alimentar e Bem-Estar Animal na Câmara Municipal do Seixal frisou que “o nosso objectivo foi trazer aqui dois gatos e levar os idosos a ter uns momentos de confraternização com estes no Dia Mundial da Terceira Idade, e até para mim as reações foram uma surpresa, com momentos muito emotivos.”

Outro aspecto que Elisabete Adrião ressalva é a importância do convívio com animais. “Está comprovado que estes são de uma enorme importância na vida dos humanos ao transmitirem sensações de bem-estar físico e psíquico e isso ficou hoje aqui bem patente.

Sobretudo os gatos transmitem muita tranquilidade e uma sensação anti-depressiva e tenho também conhecimento de casos em que a companhia de um animal no caso de idosos é uma forma de os levar a agir. Sentem-se responsáveis por um ser vivo que está dependente deles e isso leva-os a levantar-se para os alimentar e cuidar, o que é muito importante para a sua auto-estima.”

Destaca ainda “o prazer destes utentes quando me falaram da Aurpinhas, e lamento que outros lares e instituições não tenham animais que façam este tipo de companhia aos seus utentes.”

E perante a disposição demonstrada pelos utentes e pelo presidente da AURPIS, “e a experiência que também aqui vivi acredito que esta, que foi uma primeira experiência, será sem dúvida para continuar.”

Assista ao vídeo:

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