Os (meus) gatos do telhado

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Era manhã de Páscoa do ano de 2018 quando fui acordada pelos latidos incessantes de meus cães. Os seguindo, percebi que tinham algo a me mostrar: em nosso telhado, havia uma gata malhada com seus quatro filhotes!

Chovia muito naquela época, alto verão aqui no Brasil, e certamente aquela mãe se abrigara sob a sombra das árvores e de nossa sacada.

Sempre ouvi que não devemos alimentar animais em situação de rua, especialmente gatos. “Se alimentar um hoje, em 30 dias, serão 30 em sua porta”, dizem. Mas a paixão pelos pets e o sentimento de compaixão muitas vezes não permitem que façamos coisas levando em conta somente a razão.

Espalhei alguns grãos de ração dos meus gatos em nosso telhado por dias seguidos. Os filhotes, ainda novos, ensaiavam entre mamadas rotineiras e a descoberta daquele novo sabor.

A mãe gata literalmente os defendia com unhas e dentes. Bastava perceber alguém se aproximando para que ela “se armasse”, mostrasse os dentes e fizesse o famoso e tão temido “fuuuu”. Eram três gatos pretos e um amarelo. Um dos pretos me permitiu algumas vezes “acariciá-lo” com as cerdas da vassoura, único instrumento que os alcançava ali em cima. Logo percebi que era o mais dócil e lhe dei o nome de Fígaro, como o gato da história do “Pinóquio”.

A mãe chamamos de Sarabi, como a guerreira leoa do filme O Rei Leão.

Passados alguns meses (!), Sarabi deixou seus filhotes para trás, mas eles não saíram de minha casa. Fígaro começou a se aproximar e foi castrado. Mais crescidos, era possível vermos que todos eram machos. Um dia, o amarelo finalmente foi “fisgado”. Ficou tão dócil quanto o irmão e foi chamado de O’malley, como o galanteador da animação “Aristogatas”. Esse, rapidamente também foi castrado e devidamente cuidado.

Um pouco mais arisco, mas ao mesmo tempo carinhoso, conquistamos também o Salem, uma homenagem ao gato da bruxa “Sabrina”.

Um dos pretinhos continua sem confiar na gente, mas vem todos os dias para se alimentar… Por sorte, ficamos somente com os quatro (que não se multiplicaram em alguns dias como haviam me dito que aconteceria).

Vejo Sarabi pelo bairro algumas vezes. Felizmente nunca mais a vi prenhe, mas sei que isso será inevitável. Torçamos para que ela e suas próximas gerações encontrem lares pacientes, amorosos e que entendam que eles são vítimas de algo que o ser humano é quem faz: o abandono e descaso para com os animais.

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Colaboradora da MIAU Magazine, Jade Petronilho é jornalista e comportamentalista veterinária, estudante de medicina de pequenos animais e pós-graduanda em nutrição animal. Apaixonada desde criança por pets, hoje partilha da companhia de três cães e dois gatos, Kinus e Emily, além de atualmente ter uma família de quatro felinos morando no telhado de sua casa

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