Dúvidas na hora de escolher um gato

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Hoje iremos falar de tudo o que precisa de saber antes de adquirir um gato… Bem-vindo ao maravilhoso Mundo Felino!

Nas últimas décadas o gato tem-se tornado cada vez mais popular, sendo já em alguns países o novo “melhor amigo do homem”. Qual a razão desta mudança? O gato adapta-se muito bem ao estilo de vida dos tempos modernos: o facto de não ladrar e ser de pequeno porte são atrativos para quem vive num apartamento. O gato passa cerca de duas horas por dia a lavar-se, precisando de poucos cuidados de higiene (ex. banhos). Além disso, o gato urina e defeca na caixa de areia, não sendo necessário levá-lo à rua várias vezes por dia como no caso dos cães.

Um gatinho ou um gato sénior?

Não existe uma fórmula mágica para escolher o gato que melhor se adapta ao seu estilo de vida, mas perceber as suas expectativas e conhecer o que é que o gato precisa para ser feliz é o primeiro passo.

Ter um gatinho permite-nos acompanhar todas as fases da vida do nosso novo companheiro e, ao mesmo tempo, usufruir do encanto (e fofura) que é ter um gatinho bebé em casa. No entanto, não nos podemos esquecer que os gatinhos exigem muita atenção e maior preparação para evitar acidentes (ex. objetos partidos, engolir lãs, quedas, etc). Também necessitam de um maior planeamento de idas ao médico veterinário (ex. vacinas, esterilização, etc,) uma vez que são mais frequentes nesta etapa da vida do gato. Lembre-se que os gatinhos crescem muito rapidamente e que, em 6 meses, terá um gato jovem adulto em casa e não um bebé.

Optar por um gato adulto tem vantagens, pois permite-nos ter uma boa ideia da personalidade do gato e averiguar se irá adaptar-se bem à nova família. No entanto, é preciso ter em atenção que, se ele estiver numa situação menos ideal (ex. se vive na rua ou está num abrigo com vários animais), poderá estar assustado e agir de uma maneira muito diferente ao que faria se estivesse relaxado. Um gato adulto confiante adapta-se muito rapidamente, mas um gato nervoso pode levar mais algum tempo. Também devemos considerar que um gato adulto ou sénior faz menos asneiras e que não precisa de tanto tempo para brincar.

Alguns gatos mais tímidos precisam de previsibilidade no seu dia-a-dia para se sentirem seguros e relaxados (relembre que um dos 5 pilares do bem-estar felino é a sensação de segurança pela sua condição natural de presa) e, uma família sem crianças, que raramente tem visitas em casa ou que levam uma vida mais tranquila poderá ser a melhor opção. Por sua vez, há gatos que são mais felizes com maior interação social e adaptam-se bem a uma casa mais movimentada.

Qual o sexo do gato que devo escolher?

 

O sexo do gato não tem grande relevância desde que sejam esterilizados. No caso de não ser realizada a esterilização, as gatas entram em cio (com miados repetitivos e incomodativos associados), podem engravidar e ter ninhadas com inúmeros gatinhos e os machos podem fazer marcação territorial com urina de odor intenso. No caso de já ter um gato adulto esterilizado em casa e pensar ter outro gato, opte por um gatinho do sexo oposto pois pode ajudar na integração do novo membro.

Com pelo curto ou pelo comprido?

Antes de optar por um gato de pelo longo, lembre-se que será necessário fazer escovagens diárias. Pondere bem se tem disponibilidade de tempo para o fazer e conte com mais pelos pela casa. Optar por um gato de pelo comprido e recorrer a tosquias totais para contornar esse “problema” não faz sentido, além de que estas são desaconselhadas. Apesar de ter um gato de pelo curto ser uma opção muito mais fácil, o pelo cairá igualmente e deve ter também isso em consideração. Existem gatos sem pelo, como os gatos da raça Sphynx (que foi destacada na edição n.º 5 da MIAU Magazine) mas precisam igualmente de muito tempo e esforço para manter a pele limpa. Alguns podem até mesmo deixar manchas de gordura pelos móveis da casa e precisar de banhos regulares.

Quer uma dica da Alma Felina? Habitue desde cedo o seu gato aos cuidados de higiene que ele necessita para que seja uma tarefa agradável para os dois e de fácil execução.

Devo optar por um gato de raça?

É certo que os gatos têm uma personalidade muito individual, mas existem algumas raças que nos permitem prever alguns aspetos de personalidade. Os gatos Siameses, por exemplo, são conhecidos por serem muito “faladores”. Antes de optar por um gato de raça aconselhe-se primeiro com o médico veterinário sobre as características da raça, sobre a prevalência de doenças genéticas em algumas raças de gatos (ex. rins poliquísticos nos Persas) e se o bem-estar do gato pode estar comprometido pela sua aparência estética (ex. problemas articulares nos Scottish Fold). Lembre-se que a saúde vem em primeiro lugar e que a aparência física é o que menos importa.

Quando devo levar o gato para casa?

Se após ponderar em tudo o que ter um gato acarreta (qual o tipo de gato que melhor se adapta à sua família, o que ele precisa para ser feliz, os custos associados, etc.) e optou por seguir em frente, parabéns, está prestes a ter uma experiência que sem dúvida mudará a sua vida para sempre! Opte por um momento calmo para o levar para sua casa e tente que seja numa altura em que possa estar um dia ou dois em casa para que o processo de adaptação seja mais acompanhado.

Na próxima edição voltaremos ao Maravilhoso Mundo Felino para falar dos cuidados de saúde necessários em cada etapa da vida do gato: júnior, adulto e sénior. Para isso iremos contar com a preciosa ajuda dos nossos gatos da Alma Felina e, apesar de sermos suspeitos… achamos que vai adorar conhecê-los!

Joana Valente Mestrado Integrado em Medicina Veterinária em 2011 no ICBAS (Universidade do Porto) e desde então dedica-se exclusivamente à Medicina Felina. Ainda estudante tornou-se membro da International Society of Feline Medicine, uma organização de especialistas em medicina felina. Em 2014 tornou-se sócia fundadora do Grupo de Interesse Especial em Medicina Felina da APMVEAC. General Practitioner Certificate in Feline Practice da European School of Veterinary Postgraduate Studies, título obtido em 2015, sendo a primeira médica veterinária portuguesa a integrar esta lista. Desde Setembro de 2017 que integra a equipa do Hospital Alma Veterinária, sendo responsável pelo Departamento de Medicina Felina – Alma Felina.

 

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