PAN quer estratégia local para todos os animais de Lisboa

“É preciso passar do papel para a ação. Não adianta aprovarmos medidas de proteção animal quando na prática as coisas não acontecem”, afirma a deputada municipal Inês de Sousa Real.

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Teve lugar ontem, na Assembleia Municipal do PAN, a segunda e última sessão do debate “Lisboa e os Animais: os desafios da sociedade atual”, uma iniciativa do Grupo Municipal do PAN.

Foi a primeira vez que a Assembleia Municipal acolheu um debate sobre esta matéria.

Finalmente falou-se sobre este tema com a seriedade e profundidade que ele merece. Lisboa já deu importantes passos neste contexto, como a proibição de circos com animais, mas os desafios são ainda muitos. É preciso passar do papel para a ação. Não adianta aprovarmos medidas de proteção animal quando na prática as coisas não acontecem”, afirma Inês de Sousa Real, deputada Municipal do PAN.

É o caso do Hospital Veterinário Solidário, uma medida do PAN que foi aprovada há mais de um ano mas ainda sem previsão para ser criado. Esta seria uma das respostas sociais para pessoas em situação de maior vulnerabilidade, como pessoas idosas, pessoas em contexto de violência doméstica ou pessoas em situação de sem-abrigo. Relativamente a esta ultima população, a Crescer – Associação de Intervenção Comunitária afirmou neste debate que é urgente encontrar soluções para alojar pessoas em situação de sem-abrigo que tenham animais de companhia, algo para o qual o PAN já tinha alertado.

O PAN clarificou ainda neste debate que quando falamos de bem-estar animal não falamos apenas de animais de companhia. “Não podemos dizer que Lisboa corrigiu um atraso civilizacional com o fim do abate no canil municipal, como referiu o PS, enquanto continuamos a praticar corridas de touros no Campo Pequeno, a abater pombos ou a deixar ao abandono animais como cavalos ou ovelhas”, refere Inês de Sousa Real.

O Grupo Municipal do PAN reiterou ainda neste debate algumas daquelas que continuam a ser as suas principais preocupações nesta matéria, nomeadamente a urgência de um plano estratégico municipal que permita dar resposta às situações diárias que colocam em risco a vida de animais e também de pessoas, a criação de um regulamento do bem-estar animal, a sensibilização para o não abandono e para a adoção responsável, o apoio às associações zoófilas de Lisboa, a importância de agilizar os procedimentos em caso de maus tratos ou abandono de animais e de dar resposta aos pedidos de recolha de animais da via pública e às denúncias feitas por munícipes.

Este debate decorreu em duas sessões, nas quais participaram várias associações de protecção animal e de cariz humanitário que atuam na cidade, como a Quebr’a Corrente, a Animais de Rua, a Associação Zoófila Portuguesa, a Campanha de Esterilização de Animais Abandonados e a Crescer, assim como representantes dos serviços municipais – desde a Casa dos Animais de Lisboa, ao LxCRAS, à Provedoria dos Animais, bem como entidades externas: Projeto Defesa Animal da PSP, Ordem dos Veterinários, ANVETEM, entre outros especialistas e particulares que aderiram a este debate. Todos foram unânimes em reconhecer que, apesar do caminho percorrido até agora, muitos são ainda os aspetos que a cidade tem que melhorar, nomeadamente no que diz respeito ao combate ao abandono e aos maus-tratos dos animais.

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