Como encontrar gatos perdidos

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Procura-se gato perdido”. Cartazes assim estão por toda parte e quem gosta de gatos imediatamente entra em estado de aflição. O problema é que a maioria das pessoas procura no lugar errado e do jeito errado.

Nesse artigo tentarei passar dicas baseadas em minha própria experiência. E elas servem tanto para quem está à procura de um gato, quanto para as pessoas que moram na região de um bichano desaparecido.

Um ano à procura de Dicky

Cerca de 20 anos atrás não era costume telar as casas para os gatos não escaparem. Dicky, assim como os demais gatos do bairro, dormia de dia e saía à noite, mas nunca ia longe. Numa noite de temporal, no entanto, Dicky não voltou.

Espalhei centenas de cartazes, inclusive em bairros próximos, com a foto mais charmosa dele e que abre esse artigo. Anunciei no jornal algumas vezes e falei com alguns vizinhos mais próximos, com quem eu já mantinha contato – e esse, reconheço hoje, foi meu grande erro.

A gata Dicky desapareceu numa noite de temporal

Durante um ano inteiro estive em inúmeros lugares longe de casa atendendo a chamados de pessoas que achavam ter visto Dicky, mas não atentei para as casas mais próximas da minha. Não falei com as pessoas com quem não mantinha amizade e muito menos com os vizinhos com os quais a relação não era muito boa.

Ao final de um ano ainda tinha esperança de encontrá-lo, mas então tive um sonho que colocou um ponto final nessa história. No sonho Dicky havia caído numa casa com dois cães e o mais bravo abocanhou a nuca dele. Então uma moça de vestido branco esvoaçante, como uma espécie de anjo, abriu delicadamente a boca do cachorro, pegou o Dicky e o colocou em meus braços.

O sonho era um singelo pedido para eu dar fim a minha busca, mas também me serviu de lição. Se eu tivesse falado com todo mundo e, especialmente com quem tem cachorro, talvez o tivesse salvo.

Um bom exemplo

Algum tempo atrás fiquei sabendo de um caso no Rio que serve como um bom exemplo. Uma gatinha de quatro meses tinha desaparecido da casa de sua tutora. Ela percorreu diversas quadras em busca da pequena felina que, durante todo o tempo, estava na casa vizinha onde, aliás, tinha um labrador.

Por causa da presença do cão, a tutora achou impossível que a gatinha tivesse se escondido lá.

A história desta gatinha teve um final feliz

A história só teve final feliz porque de madrugada, quando a tutora e seu marido já tinham desistido da busca, enxergaram uns olhinhos brilhando debaixo do carro na garagem do vizinho. Certamente ela passou o dia acuada naquele espaço onde o cachorro ficava solto durante o dia.

Muitos gatos acabam correndo para dentro de uma casa com cachorros e não conseguem sair mais. Às vezes se escondem em algum quartinho nos fundos.

Por isso, embora seja importante espalhar cartazes, mais crucial ainda é tocar a campainha de cada um dos vizinhos e, especialmente, os que possuem cachorros, pedindo aos moradores que chequem espaços onde um gatinho poderia se esconder.

O caso Amarelinho

O gatinho Amarelinho nunca saía de casa. Como era castrado e tranquilo, seu tutor não se preocupou em telar a casa. Mas uma noite Amarelinho quis se aventurar e entrou numa loja em reforma na mesma rua. Não soube sair e, calcula-se, ficou lá por uma semana.

Enquanto isso, seu tutor espalhava cartazes, inclusive, oferecendo recompensa. Tudo em vão. O gatinho só foi encontrado quando o tutor sondou os imóveis vizinhos. Amarelinho estava imóvel e bem magro no forro da loja. Provavelmente sobreviveu bebendo água da chuva.

Locais prediletos dos fujões

Além de imóveis em reforma e casas abandonadas ou vazias, outro lugar onde os gatos se escondem é em prédio em construção. É necessário pedir licença ao vigia noturno desses prédios para averiguar bem o local.

Se o gato fujão mora em prédio, a primeira coisa a fazer é procurar no estacionamento, quartinho de dispensa e atrás de entulhos ou materiais de construção.

A gatinha Dianna também já pregou um grande susto à sua tutora

Tive uma experiência assim com minha outra gatinha, a Dianna. Na época morávamos no primeiro andar e ela pulou de uma pequena janela da área de serviço, por onde eu não acreditava que ela conseguiria passar. Fiquei sem voz de tanto gritar o nome dela pelas ruas até que uma senhora que passava me perguntou: “Você olhou no seu prédio?”.

Então fui checar as áreas livres do meu edifício e encontrei Dianna atrás de uns sacos de areia, imóvel e muda. Com isso aprendi que um gato pode se esconder no próprio edifício onde vive e o tutor perde precioso tempo buscando na rua. Existe possibilidade, inclusive, dele entrar no apartamento vizinho como aliás, também já aconteceu com a Dianna nesse mesmo prédio.

Por incrível que pareça, certa vez eu e meu vizinho abrimos nossas portas no mesmo momento pela manhã para irmos ao trabalho. Dianna saiu da minha casa e entrou na dele sem que víssemos. Lógico que passei o dia procurando-a por toda parte em desespero até que ouvi um miadinho no apartamento ao lado. Era ela! De noite, quando meu vizinho chegou, nem ele acreditou. Mas Dianna estava deitada tranquilamente na cama dele.

Aprendendo a procurar gatos perdidos

Minha gata Rebecca Selvagem, assim chamada porque têm coloração e comportamento arredio de gato do mato, em 2016 escapou de casa quando a veterinária e uma assistente vieram buscá-la para a castração.

Rebecca entrou em pânico, se atirou contra paredes e janelas até que conseguiu arrebentar a tela da porta de entrada que era de plástico e, certamente, havia ressecado com o sol se tornando quebradiça.

Corremos atrás dela, mas ela parecia um foguete e a perdemos de vista. Foi o primeiro de 37 dias de uma busca intensa, mas cheia de fé e sem ignorar nenhuma dica que as pessoas me davam.

Coloquei tudo em prática, até mesmo os métodos que me pareciam, à primeira vista, absurdos como colocar caixa de areia com xixi da minha outra gata, a Dianna, na porta de casa. Coloquei na frente e nos fundos… umas três ou quatro caixas.

Mas não foi só isso. Encontrei a Rebecca porque abracei cada conselho e exercitei a humildade falando até mesmo com os vizinhos com os quais já tinha discutido e não mantinha uma boa relação.

Não pode ter orgulho. É preciso falar com todo mundo que mora, trabalha, circula ou varre a rua.

Toquei cada campainha pedindo para olharem quartos de fundo, forros, porões e sótãos. Em algumas imobiliárias pedi para me abrirem casas que estavam para alugar ou à venda. E fui em todas as lojas, escritórios e empresas das redondezas sempre com a foto mais nítida dela em mãos.

Eu fui procurar longe, mas não descartei em nenhum momento os locais mais próximos. Toda noite espalhava ração e potinhos de água em pontos de diversas ruas porque sabia que se ela estivesse por ali só sairia de noite para procurar comida.

Também usei método vibracional. Fiz cartazes utilizando uma foto dela em que também aparecia um bumerangue porque, como todos sabem, bumerangue vai, mas volta. No quadro da sala que tinha um gato como ela, acrescentei “Volta Rebecca” e a mesma frase usei nos flyers e na internet.

Foram várias ações combinadas, que não cabem nesse artigo, mas estão contadas por mim e na versão da própria Rebecca no fotolivro “Encontrando Rebecca Selvagem – Uma busca intensa e cheia de fé” à venda pelo link https://www.facebook.com/aghataborralheirabook/

A história da Rebecca deu o fotolivro “Encontrando Rebecca Selvagem – Uma busca intensa e cheia de fé” à venda pelo link https://www.facebook.com/aghataborralheirabook/

Vale ressaltar que diferente dos cães que são, normalmente, andarilhos, os gatos, quando escapam, logo entram nos imóveis vizinhos ou dos arredores.

A exceção a essa regra é quando eles entram dentro do motor de algum carro e são levados para longe pelo veículo ou são perseguidos por algum cão ou pessoa que os obriga a correr muito indo parar num ponto mais distante.

Mas fora essas situações, acreditem, eles sempre se escondem bem perto.

Espero que essas dicas ajudem! Obrigada é até quinta que vem!

Author: Fátima ChuEcco

Fátima Chuecco é uma jornalista brasileira especializada em matérias sobre animais e apaixonada por gatos. Mora em SP com suas gatas Dianna e Rebecca Selvagem.

6 Comentários

  1. Muito boa a matéria! Se soubesse de metade dessas dicas, quem sabe teria recuperado minha Xinha há 10 anos! Vou compartilhar, vai ajudar muita gente! Abraços fraternos!

  2. Uauuuu!! Que histórias lindas, tristes e felizes, tudo ao mesmo tempo….
    Adorei as dicas, mas espero nunca precisar…

  3. Excelentes dicas! Tenho muitos gatos e passei por algumas situações. Em duas delas, um dos meus gatos queria ser filho único, não gostava dos irmãos e simplesmente mudou p casa do vizinho e por lá ficou. Eu trazia ele de volta e ele ia embora. Meu vizinho não tinha animais e quis adota-lo. A verdade é que o gato quem escolheu o lugar que queria ficar. Em outro caso, o gatinho da minha vizinha não gostava de ficar sozinho, quando ela saia p trabalhar ele corria p minha casa, passava o dia brincando com os meus gatos e só ia embora quando ela chegava. Enfim, é uma alegria ter animais em nossas vidas.

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