Luís Montenegro: “Saúde animal e humana tem de ser pensada de forma integrada”

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Luís Montenegro, director clínico do Hospital de Referência Veterinária Montenegro, organizador do Congresso.

O presidente do XVI Congresso Internacional Veterinário Montenegro, Luís Montenegro, considera fundamental pensar a saúde animal e humana de forma integrada.

“Não podemos ignorar que numa sociedade em que os animais de estimação ganham cada vez mais espaço nas nossas casas qualquer doença que afete o homem pode ter consequências para a saúde dos animais e, claro, vice-versa”, salienta o médico veterinário.

É com essa ideia em mente que o congresso irá apresentar um inovador espaço: a sala “One Health”.

Trata-se de uma área dedicada ao pensamento integrado da saúde animal e humana. “Vai funcionar nos dias 21 e 22 de fevereiro e irá abordar temáticas como a tuberculose no Homem e nos animais, a ‘Bovinicultura Leiteira’ no contexto “One Health” e a perspectiva norte-americana da “One Health”, refere Luís Montenegro.

Outro dos temas a abordar é a resistência a antibióticos e o papel dos animais selvagens como reservatórios.

“Trata-se de um tema que tem concentrado atenções dos médicos no caso da saúde humana e que agora começa a ser mais estudada pelos médicos veterinários”, explica o responsável do congresso. Luís Montenegro frisa que, tal como sucede com o Homem, “o antibiótico tem sido excessivamente usado no tratamento de doenças animais, contribuindo para um aumento dos mecanismos de resistência bacteriana aos antimicrobianos”.

Luís Montenegro lembra que são muitos os estudos que, nos últimos anos, têm demonstrado um aumento dos níveis de resistência clínica a antibióticos nas águas residuais, incluindo as que passam por estações de tratamento antes de serem descarregadas no mar ou rios. “Isto tem consequências também para os animais, não só os que habitam os rios e mares, mas também de outros, como as gaivotas, que recorrem a estas águas para procurar alimentos”, sublinha.

O médico veterinário adianta que está amplamente documentado, ao nível da saúde humana, que o aumento das resistências a antibióticos está a dificultar o tratamento de algumas doenças. “É importante, perante todas estas evidências, que se reforce a investigação na saúde animal, para perceber que consequências estes resultados têm também nos animais, não só de estimação, mas também selvagens”, justifica. Paralelamente, diz, “é importante que a Medicina Veterinária aposte no desenvolvimento de fármacos e tratamentos que permitam reduzir a dependência de antibióticos na cura de algumas doenças animais”.

Este é um dos pontos que estará em análise naquele que é um dos maiores congressos veterinários da Península Ibérica e que volta a fazer de Santa Maria da Feira a capital da Medicina Veterinária entre os dias 20 e 22 de fevereiro de 2020.

Para o também diretor clínico do Hospital de Referência Veterinária Montenegro, “a escolha do tema ‘Inovação e Desenvolvimento’ é a consequência lógica do trabalho que temos vindo a desenvolver nos últimos 16 anos”.

Na edição de 2020 do Congresso Internacional Veterinário Montenegro estão confirmados 30 conceituados oradores, entre os quais se destaca Massimo Petazzoni, Roberto Bussadori, Alexis Santana, Diego Casas, Jorge Leite, Rodolfo Leal, Rui Mota, Ronaldo Casimiro da Costa, Cristobal Frias, Paulo Borges, entre outros.

“Na edição transata reunimos cerca de 300 congressistas espanhóis, num total de 1300 médicos veterinários, 300 estudantes de Medicina Veterinária e 500 enfermeiros e estudantes de Enfermagem Veterinária inscritos”, salienta Luís Montenegro. Na 16.ª edição, a organização quer elevar a fasquia com a aposta na premissa da Inovação & Desenvolvimento. “Será uma excelente oportunidade para poder introduzir no mercado ferramentas inovadoras que a nossa classe tanto privilegia”, conclui.

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Author: Miau Magazine

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