Os gatos falam mesmo connosco?

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No outro dia, contava-me uma senhora que um vizinho seu tinha ajudado a separar dois cães de uma briga e que o cão magoado estava com vergonha de mostrar a ferida e só queria ir para casa para ninguém ver. Achava ela que o senhor tinha imaginado toda uma história e atribuído sentimentos a um animal, como se ele próprio lhe tivesse dito aquilo. Como se um animal pudesse falar, ou nós perceber o que eles falam na sua língua.

Mas a verdade é que os animais falam mesmo connosco. E nós só precisamos de estar abertos e atentos, para perceber exatamente o que nos dizem, o que sentem, o que querem, o que esperam.

A nossa gata Tica, por exemplo, quando queria comer ervas, ou se punha em cima do fogão, e apontava a cabeça para cima, onde estava o copo com as ditas ervas, ou se punha na máquina de secar que estava à entrada da porta, à espera que fossemos à rua buscar o vaso com ervas, para ela comer à vontade.

Também tinha muito a mania de se meter nas nossas conversas e, com ciúmes, por não ter atenção para si, não nos deixar conversar sequer, miando sem parar, até que um de nós parasse de falar, e lhe desse atenção a ela.

A nossa gata Becas, não só nos chama através do miar, para a acompanharmos até ao comedouro, como faz, também, aquele gesto que os humanos fazem com a cabeça, quando estamos a convidar alguém para vir connosco, como que a dizer “anda, vamos!”.

Mas a mais conversadora lá de casa é a Amora. Nós falamos com ela, e ela responde-nos com os seus “rnhaus”. É, também, a que mais mostra os seus sentimentos. Sobretudo quando está impaciente ou aborrecida. Ou quando reclama porque estamos a tentar enganá-la.

Pode parecer mentira, mas ela é até capaz de agir como as crianças pequenas (e alguns adultos) que, quando contrariadas, amuam e fazem-nos sentir culpados, ignorando-nos durante o tempo que achar necessário. Ou então faz mil e uma coisas para chamar a atenção, e obrigar a ir ter com ela.

Ainda no outro dia, ficou aborrecida quando percebeu que a Becas tinha ocupado o colo da dona, que é seu por direito. Olhou para mim, reclamou, e foi embora triste. O dono bem a chamou para ir para o seu colo, mas ela não quis. Foi embora. Voltou pouco depois, a ver se o colo já estava livre. O dono pegou nela e pô-la no seu colo. Ela lá ficou, resignada, mas ainda olhou para mim e soltou mais um “rnhau” como que a dizer “estou aqui contrariada, e chateada contigo, era aí que eu devia estar”.

Isto são só pequenos exemplos de como os gatos, de facto, falam connosco, e não é necessário dominar o idioma gatês, para conversar com eles, tal como eles não precisam de tradução para humanês, para saber o que nós lhes dizemos!

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